
Meta linguagem
na boca sem língua
na língua lépida
na mente com íngua
na palavra tépida
Meta linguagem
na prosa verborrágica
na letargia cíclica
na poesia hemorrágica
na vanguarda tísica
Meta linguagem
na crítica estúpida
na frase esdrúxula
na visão insípida
na vertente pústula
Meta linguagem
no velho panegírico
na sagrada epístola
no pensar raquítico
na cultuada fístula
Meta linguagem
no túnel hermético
no exegeta fétido
no destempero léxico
no escritor intrépido
Meta linguagem
na douta arrogância
no inútil semanário
na editorial ganância
no "rectu" literário
Carlos Cruz
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Deflorando
Ei de deitar-me sob o coma líquido
Entregar-me aos artíficios da impureza
Ter o pecado posto sob a mesa
Estudar o imperfeito e o atormentado
Pegar a vida pelo rabo
E encolher seu sentimento comum
Vou sair vadiando com o infinito
Chutar o momento mais bonito
Porque sou filha do horror
matuto o comum
como se esplendoroso
faca sem serra
barulho estrondoso
da alma espatifando no chão
procurando por um vão
por onde escapar
da mácula e das chacinas
dessas meninas que me olham torto
como se eu fosse o moço
que as defloraram
Rita Medusa
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DESCAMINHO
Lágrima rubra,
suba rosa
como o orvalho
fazendo a hora
voltar o tempo
como me lembro
e como um atalho
lírico e lento.
Leandro Jardim
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Dialética
sou pedra que chora
sou vidro que estilhaça
meu sorriso canta,
enxugando lágrimas
nos cantos, poças
covas rasas de intenso pranto
mas inda há brilho no olhar...
mesmo que por vezes se apague
nos percalços do meu caminhar
intenso o frio por falta de afago
calor que arrefeça a alma
escrevo, calando grito
como que alimentando gemido
quero colo, quero afeto
mas faço-me discreto
e, friamente,
saio pela tangente
e se precisar, bato o martelo...
pois mesmo quando sou fraco
faço-me forte
assim eu sou
nada morno, nada pouco
ou tudo ou nada
sou Tese
sou Antítese
e por fim,
Síntese
CAROLINE SCHNEIDER
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A amada e o mosquito
Torna-se o ciclo das coisas...
Para minha deusa, dei meu vitae
Fez dele seu gosto e me matou,
Eu fui esmagado...
Depois um mosquito veio por um pouco de mim,
Incomodar-me e mostrar que ainda tenho vida
E eu o esmaguei...
Augusto Sapienza
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Bêbados na Rua Augusta
de(lírios)
no meio
das flores
Anderson H.
http://manufatura.blogspot.com/
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[SONETO AO MEMBRO MARAVILHOSO]
Esse enorme e rígido monumento
Faz-me nua e arfante em seu ardor
E maravilhada d'encanto, de fervor
Desejo-o em gozo e movimento.
O cavalgue do agressor erguido
Por dentro não parece assustador.
Altivo membro, digno de andor
Nas eras do ego, do sexo ungido.
Pela bestialidade viril de ereções
Trazendo a força e fúria de me ter
Em gulas e esganadas ejaculações.
Então erga-se e murche, com prazer,
Em louvor às idolatrias, taras e fixações,
É falo para orar, lamber, cuspir, foder.
Larissa Marques
www.larissamarques.com
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