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13.4.07

bagaceira #6

( desenho de Larissa Marques)


Meu olho esquerdo
Não repare
Não me olhe muito
Pois percebi agora
Que meu olho esquerdo
É enorme
Mais permissivo
Mais revelador
Menos punitivo
Menos constrangedor
Quem me dera tivesse
Dois olhos esquerdos
Para ver apenas um lado
Para perceber melhor os outros
Pois meu olho direito
Só inflama
Só me reprime
Só me engana.


Larissa Marques
www.larissamarques.com

*******


MULHER, COM ALMA GUERREIRA

Há flores no meu quintal Pois a mim, ninguém as oferta
A bem da verdade,
Nasci no corpo errado...
Sou mulher, com alma guerreira
Vim a esta terra Para lutar como homem...
Pelo sustento da família
Pelo sorriso todo dia
Pela própria harmonia!
Nenhum ramalhete em prol da doçura
me foi doado
Não me foi dada a chance de ser delicada
e frágil
Mas enquanto ninguém descobre a mulher
por trás da armadura de guerreira
Vou pelo mundo, ofertando minhas pétalas ao
passar
E a brincar com o flip-flap das felizes borboletas


que em mim reconhecem o colorido da alma
que só uma verdadeira mulher possui...
o colorido de quem sabe plantar e semear e
colher e desfrutar
das flores de seu próprio jardim!


Caroline Schneider
http://www.monopolio.blogspot.com/

********

Dos Presságios.
Eu gosto desse instante que ainda é quando,
Inquietudes em longos passeios pela veia.

Eu acho bonito esse vulcão sustenidoE o gesto contido, porque a alma receia.
Eu sinto na pele a ingenuidade leve
De um apelo percorrendo os pêlos

Caindo dentro como se fosse neve.Eu acho belo o caminho do arrepio
Esse caminho torto por onde espio
Estrelas de pressa florescendo esperas.

Não sei o porquê nem sei se será
Mas a sensação troteando meu peito
É, das coisas sem jeito, a que mais me dirá.

" Rayanne" (Juliana Luisa Brandão)
Http://meucontratempo.blogspot.com

*******

poema estranho
Se escuta aqui
Que não é assim
Que não é nada assim
Que todo sofrer é ar cênico
Mas é .
Arsênico.


Que não é coisa temporária.
Mas é.
Água sanitária.
Que nem sempre a vida é curta
Mas é.
Cicuta,
Aqui.


Escuta aqui
Escuta esse último movimento


Porque dói.
Dói como veneno
lá dentro.


Czarina das quinquilharias
www.sabedoriadeimproviso.wordpress.com

********

ENQUANTO FALO
Enquanto a mão explora
A pele exposta
E contorna a forma firme
Que se mostra...
Enquanto a língua se enrola
Nos pêlos e faz o desenho da trilha
Que vai do umbigo à virilha
E é percorrida pelos dedos
Enquanto os lábios se molham
Na saliva que engulo
E misturo com o sêmen
Que me jorra por dentro...
Você lateja e me beija,
completo e saciado
enquanto na boca guardo
(ainda ereto)
o gosto do falo


Sandra Souza
http://www.feitaemversos.blogspot.com/

Patrocínio Sinos Papelaria
(os textos desse blog são protegidos)
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9.4.07

bagaceira #5





Para meu pequeno príncipe...
Os mundos se dobram em sua reverência
Quem é você que caminha triunfante
Rumo às escadarias de seu trono?
Descubro-te novo a cada dia
Sem padrões ou referências
Seu reino é o ócio
O hedonismo é sua coroa
Cultua apenas sua vida
E seu cachimbo esfumaçantes
Seus ombros sustentam
Seu manto e sua loucura
Seu país é seu canto escuro
Seus cafés, seus muros
Não ousam compará-lo
É único, meu dândi...
Ah, meu neurótico reizinho!
Os tambores de meu peito
Ainda clamam por ti
Mas flutua majestoso
Ignorando meu existir
Como ignora seus inimigos
Mas não me importo
Pois somos todos seus súditos
Salve, meu pequeno príncipe!




Poema para meu amigo Otávio Augusto Marin






Sob teus cabelos ruivos
Pousam as borboletas perfeitas
Que a natureza pôde criar
Nos seus olhos mares
Flutuam lúgubres
Os veleiros que hão de naufragar
Passiva e altiva
Dorme em seu leito de pedras
Mas nada te fere
Nada te atinge
Tem uma couraça dura
Que envolve sua essência
E como num entardecer sem lua
Seus cabelos jogam-se
Sobre seu rosto perfeito
É tudo que almejo ser
Sonha, minha cara
Pois a vida ainda te espera
Sonha, que velo por ti.



Para minha querida amiga Caroline Schneider




Caminha só pelo vale
Que já foi meu
Desce seus pensamentos sublimes
Sobre a alva bruma matutina
Mas é pisoteado pela lentidão
Das coisas imóveis
Seus olhos miúdos, atentos ao mundo
Pedem mais que as águas do rio
Trazem mais que as mágoas do martírio
E sedentos fitam o infinito.
Calmo e sereno, o tempo não tem pressa
Mas mesmo com a estática
Da vida interiorana
Alcança a imensidão
Vela altivo as novas que vem de cá
Seus pés trazem a mesma terra vermelha
Que impregnou os meus
São nossas raízes afloradas
Em nossas convicções
Abre sua boca, que já é sol
Em nossa casa.


Para meu amigo Túlio Henrique





Tua música ainda ecoa
Em meu seio
Entreguei-me
Aos teus sons
Soltos, como teus cabelos
Mergulhei em seus olhares
Mar de Copacabana
Num dia ensolarado
Adoro teu sorriso
E essa tua forma
De falar de amor
Tua leveza
Vence minha angústia
Sempre me fará rir
Traz a brisa macia
E boas novas que vêm de lá.


Para meu amigo Leandro Jardim




Laríssima pessoa
Descobri-me ontem
Singularíssima pessoa
Now I sing the song
Laríssima são todos
Singularíssimas pessoas
Laríssima, sou
Laríssima pessoa.


E uma brincadeira minha, para mim mesma

3.4.07

bagaceira #4






Meu olho esquerdo
Não repare
Não me olhe muito
Pois percebi agora
Que meu olho esquerdo
É enorme
Mais permissivo
Mais revelador
Menos punitivo
Menos constrangedor
Quem me dera tivesse
Dois olhos esquerdos
Para ver apenas um lado
Para perceber melhor os outros
Pois meu olho direito
Só inflama
Só me reprime
Só me engana.

*******


As águas como as mágoas
Passeiam pelas anáguas
Das moças da cidade
Que vertem seus olhos
Aos rios que nelas deságuam
As águas como as anáguas
Entregam-se aos igarapés
Encharcam-se de mundo
Mergulham até o fundo
Para voltar à tona
Secam.
As mágoas e as anáguas
Apertam as carnes
Sufocam a alma
Por que tudo que queriam
Era não existir.


***********


Elegias
Cantaram-me poemas doces
Quando meu corpo reluzia jovem
Na vã adolescência, no rubor das faces,
Nos meus falsos pudores, que eram muitos,
E minha alma pobre fazia-se esparsa...
Fizeram odes de amor de primavera
Trovas ao som de bandolins floridos
Tanto carinho a mim cedido
Enquanto eu me bastava,
Que nada disso desejava...
Hoje faço elegias silenciosas
Choro aquele que fui
E que se deixou dizimar
Agora lembranças distorcidas
De um espelho quebrado em mosaicos.


*************


Caídos, entregues
Corpos lutaram
Entre si, não sabe-se
Se por amor, ou pela falta
Tombaram
Esvaídos,
Exaustos,
Quase que sem mote
Entregues à própria sorte
Jaz agora, sós...
Impróprios,
Inoportunos e pobres de si
Doaram-se,
Esqueceram-se,
Ai se fosse só a dor,
Ai se fosse só a morte.


***********

Fotos de todos os locais onde fiz lançamentos no www.latissamarques.com , na sessão fotos.



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14.10.06

bagaceira # 3



Tragédia em seis dimensões

No quarto, vovó Lourdes tranqüilamente repousava,
Na sala, Pedrinho fazia súplicas em sua oração,
Na cozinha, mamãe Maria loucamente berrava,
Na varanda, papai José ria para o céu com gratidão,
No banheiro, Paulinha descontroladamente chorava.
E na garagem... Zezinho esperava ansiosamente o rabecão.

Antes rimas baratas e honestas do que prosa medíocre, copiada, xerocada...

Otávio Augusto
http://www.ocontistacronico.blogspot.com/





De tudo o que mais gosto
Mulher
É do sabor
Mulher
Mesmo se mau gosto
Amargo
Inclusive nunca uno
Como o olhar
mulher
Sempre infiel
Gatuno
Porque feito sonho
Pão nosso de cada pecado
Amasso e vicio
Oficio do diabo
Amor
Paixão não mata
Fome
Engana a alma
Bruma de mentira na fornalha
Incha sem encher
Engorda de não comer
Saciado de bromato
Embromo a vida

Aluisio Martins
http://fenosefenotipos.zip.net/


JUS ESPERNEANDIS


VIVER
é jogar um jogo
inventado por um demente
a quem ninguém conhece
e a quem todos chamam Deus
O PIOR
é que Ele manipula as peças
vicia os dados
e marca as cartas
NINGUÉM o vence
nunca
e todos somos obrigados a jogar
é como se estar no corredor da morte
pouco importa
o mover-se
ou
o ficar parado
VIVER
é um eterno jus esperneandis


Cláudio B. Carlos (CC)
http://www.balaiodeletras.blogspot.com/



quero um jardim
[em mim].
flores cor-de-riso,
de-beijo,
de-festa.

quero uma floresta
[em mim].
orquestra-de-tons,
de-cheiros,
de-águas.

quero uma vida
[em mim].
movimento-de-letras,
de-imagens,
de-pernas.

quero uma história
[em mim].
contada-de-perto,
de-tato,
e de-olfato.

Nanna Branco
http://enfimtudodenovo.blogspot.com/


*(não consegui o espaçamento original do poema)


CÁLICE PARA SEMPRE

só uma cachaça
me embriaga
sem problemas.
minhas doses diárias
de poesia,
não me causam azia,
causam poemas.

Múcio Góes
www.e-diversos.blogspot.com





Meus 52 anos
Na certeza dos meus vividos 52 anos
Descobri que o bom
Era as incerteza dos 32 anos.

A vida é esta possibilidade de viver
bem o hoje
Na incerteza de amanhã!

Viva!

Bira de Assis
www.poeteaviva.blogspot.com





POEMINHA TERMINAL

Tudo bem, tudo bem,
arrebata-me, canção.
Me arrasta pelos ares que respiro.
Porque pra peito de poeta,
todo remédio é placebo sabido.
Estou comprimido.

Tudo sem, tudo sem,
sem problema, faz teu jeito.
Tudo sempre faz poema, e eu me viro.
Porque quem sente pra canção,
faz tempo já cansou do meio são.
Estou preventivo.

Tudo zen, tudo zen,
são meus instantes instantâneos.
Centelhas e calmantes que me partem de suspiros.
Porque pra quem é arte momentânea,
a perda de sentidos funda o branco.
Já estou mais brando...

Leandro Jardim
http://florespragasesementes.blogspot.com/


certidão de casamento, em combustão

{tenho o fogo!
ateei fogo
em um laço empapelado
agora são apenas cinzas
outrora em meu peito um grito
que flutuam, caindo em um céu finito
me recordo que do pó
}reintegrando suas cinzas em fogo{
eis que renascerá,
ave fênix!}

Fernando Couto
www.egoemcacos.zip.net



IR

Eu decidi.
E foi como levantar a espada à altura
do nariz
Olhar de soslaio
E ajeitar o topo da cabeça
O chapéu emplumado
Flexionar de leve
O joelho esquerto
Franzir o rosto
Gritando"EN GARDE!!"
Com o corpo já em movimento transversal
A espada mirando no entre-costela.
Tinha que ser assim.
Se eu respirasse,
Mudaria de idéia.

Czarina das Quinquilharias
www.sabedoriadeimproviso.blogspot.com


Antitérmico, analgésico,
Anfetamina, antidepressivo,
Tudo que é corrosivo
Para aliviar nevralgias,
Dores de viver...
Sedativo paliativo reativo
Placebos para matar o tempo,
Para curar da vida.

Larissa Marques
www.larissamarquespoeta.blogspot.com



(ainda falta 1 poema para editar)

6.9.06

bagaceira # 2




Encosto

Sentou-se confortavelmente em sua cadeira acolchoada. Respirou profundamente por duas vezes, pois gostava da sensação do ar fresco enchendo-lhe completamente os pulmões. Corrigiu a postura, aqueceu os pulsos, estalou os dedos todos – um a um, num som alto e doloroso –, coçou a cabeça esboçando um sutil sorriso, estava ficando empolgado.
Sentia-se assim sempre que percebia que teria uma idéia ou que a inspiração o tocaria para que pudesse criar, escrever! Da gaveta à esquerda retirou uma belíssima folha em branco e, com todo o cuidado para não dobrá-la, repousou-a suavemente sobre a superfície de madeira, de tal forma que gastou alguns segundos para alinhá-la paralela e perfeitamente em relação à borda da mesa. Sorriu orgulhoso, aproximando o olhar para contemplar as intocadas texturas do papel.
De outra gaveta retirou um estojo de madeira antiqüíssimo e, deste, um lápis novinho. Retirou também um apontador de metal e pôs-se a afiar o instrumento, sem pressa alguma, como se aquele ato lhe fosse suficientemente prazeroso para que pudesse continuar a executá-lo eternamente se preciso. Após algumas voltas contra a lâmina de metal, parava e observava o grafite surgir do centro da madeira. Ainda não estava bom, apontou-o mais e mais.
Repousou o lápis ao lado do papel com um descaso milimetricamente estudado. Voltou a estalar os dedos, desta vez de forma mais rápida e discreta, remexeu-se na cadeira e respirou fundo novamente. Ah! Estava definitivamente pronto. O claustro repousava sem silêncio, nenhum ruído, nenhuma conversa, nada que pudesse atrapalhá-lo. Dá janela vinha apenas a luminosidade necessária para que pudesse escrever e, constatando tudo isso, empunhou o bendito lápis e usou-o.
Escreveu menos que uma dezena de palavras e parou abruptamente. Não estava satisfeito, era mais um de seus clichês dando as caras naquelas poucas palavras. Levantou os olhos para o ambiente em busca de uma outra inspiração, olhando além dos móveis para vasculhar a própria consciência, mas nada.
Estava vazio. Por mais que tentasse pensar em algo, encolerizava-se e sentia o rosto enrubescer-se. Não conseguia lidar com sua falta de imaginação e toda vez que lhe faltavam idéias era tomado por uma raiva repentina que de nada o ajudava. Bateu as mãos na mesa e, irritado, esbravejou: “Dragão! Pé-cascudo! Coisa-ruim!”.
Quebrou o lápis e arremessou-o para a rua. A folha, pobrezinha, foi compactada em uma pequena bolinha de papel que foi parar sabe-se lá onde. Trêmulo e quase sem fôlego, deixou o quarto batendo a porta com força, ainda resmungando: “Malvado! Porco-sujo!”.

Bruno Cardoso
trenodia@gmail.com



Noturno

Gritos afiados
Afinam o rito
Amor de guardanapo
Dura essa noite
Eterna
Ternas promessas
Pernas
Para que te quero?

Aluisio Martins
www.fenosefenotipos.zip.net


A MORTE SENDO

quero morrer velho
como um jovem,
trocando as palavras,
as pernas,
tremendo as mãos
a cada aceno,
temendo ou não
a cada cena.

quero morrer jovem,
mesmo estando velho,
vítima de um poema,
um grave poema alado.
sem memória,
mas com história
para cantar.

quero morrer sorrindo,
rindo da cara do tempo,
com um sol lindo, indo,
e eu ali, jogado,
com meus poemas
e tempo pra tudo que é lado.



Múcio Góes
www.e-diversos.blogspot.com



Naufrágil

Soçobra o navio,
Mas a banda ainda toca
Afunda no frio
Sustentando cada nota

Soçobram as horas
Vai fugindo cada segundo
Como se fosse primeiro, agora
Subindo-bolha do fundo

Soçobram os vazios que a água invade
O convés, fustigado pelo granizo
Soçobram as meias verdades
Com a última tábua do piso

Os panos
Os ventos
As velas
As luzes
Soçobram
Só sobram
Sombras.

Czarina das Quinquilharias
www.sabedoriadeimproviso.blogspot.com



A Cor do ego
entre tantos
entre cantos
sob tetos e paredes...
no labirinto
na tocaia
laçado a super- redes...


paralelo sem saída
ao espelho...
paralelo, sem saída

torno meus olhos
adentro as entranhas
e negro, vejo.

Fernando Couto
furdscouto@hotmail.com


Queda

A queda faz o pulsar das horas
transgredir.
Assim como o caminho, as vontades
subvertem-se.
invertem-se os sentidos e os motivos
não divertem.

Ruir,
o resultado indesejado com seu gosto
amargo.
Inintensionalmente vai sendo saboreado.
a digestão é lenta, asiática,
requer paciência.

Mas ao desgosto cabe também o destino
de todos:
morrer,
desde o nascimento, aos poucos.

Leandro Jardim
www.florespragasesementes.blogspot.com



O centro que me tira do eixo

Por que você fica mais à esquerda
Do meu, por ti, já pequeno peito,
Se você vira o centro do meu ser
Nos receados ou ávidos momentos?

Talvez por isso que na glória ou na perda,
No sol a pino ou no meu leito,
Você tire esse ser torto do seu eixo,
Já que você pesa mais nesses momentos
Tais onde se emaranha o denso!

E sendo um fadado centro,
mas não estar, em mim, centralizado,
Tira-me o eixo e me e se contraria...
Rompendo-nos, nos ligeiros giros,
Nessas revoluções em forma de dias...

Augusto Sapienza
www.tomospoeticos.blogspot.com







5.8.06

bagaceira # 1



Encontro


não há pontes na vertigem
talvez o contrário
que há também no vôo
mas não preciso tirar os pés do chão
pra mergulhar no azul

quem vai mais alto:
ele, o helicóptero,
ou eu que sonho?

quem vê mais longe:
ele, o panorâmico,
ou eu que eternizo momentos?

entre respostas,
fico com o contraste.


Leandro Jardim
www.florespragasesementes.blogspot.com


O sabor do fel alojou-se na flor

forjei-a entregando
o semblante de mulher
o amargo tempo ao tempo
se entrelaçando, meu mel
amor de bordel fez-se doces nozinhos

rodeios de sorrisos, surpresa
contatos físicos, gentileza
com muito esmero, feito por mim
um brilho de faca, sendo assim
cheiro de sangue no ar

antes do nó; apenas duas pegadas; areia
do mar
ainda no nó; a glória de chorar;
inovação da alma não mais nó; incapacidade de amar; as
raízes da calma
dentre o nó; o interlúdio

o sabor do mel, alojou-se na dor


Fernando Couto
furdscouto@hotmail.com




Deixo claro o manifesto
Apologia ao que amo
Dedo médio ao que detesto
Sou bagaceira
Sou mundano
Bagaço do engano
Filho da hipocrisia
E da completa insanidade
Que se dane o engenho
A cana, a garapa,
O álcool, o açúcar, os dramas,
Sou bagaceira
Que te engana
Que fermenta
Que fede
Incomoda e reclama
Sou bagaceira
Que inflama.

Larissa Marques
http://www.larissamarquespoeta.blogspot.com/

Homenagem à pequena amora

Foi pequena amora!
Pequena, pois tempo foi curto aroma...
E fruto, pois intenso foi o sabor...
Seu amor feminino, amora!

Ardemos como fogo,
mas acabou,
porque fluímos como água!
Não poeto aqui por saudade,
te faço apenas, homenagem!

Foi amor, aroma, minha amora!

Augusto Sapienza
http://tomospoeticos.blogspot.com


O desenho é de autoria de Larissa Marques.

RESPEITE OS DIREITOS AUTORAIS E A PROPRIEDADE INTELECTUALCopyright © 2006. É proibida a venda ou reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site. Este texto está protegido por direitos autorais. A cópia não autorizada implica penalidades previstas na Lei 9.610/98.